Otimizando o desempenho e o bem-estar de equinos usados em atividades esportivas

Anita Schmidek

Resumo


Cavalos são atletas natos. Ao longo de sua evolução, foram treinados de forma realmente árdua, pois os indivíduos menos habilidosos em correr e saltar por cima de obstáculos naturais – que haviam em suas rotas de fuga de predadores – certamente deixaram menor número de descendentes, se é que deixaram alguns. Ainda que a domesticação dos equinos tenha ocorrido há muito tempo, até hoje continuam a apresentar as principais características dos equídeos ancestrais: são animais de grupo, por natureza assustados e com medo de predadores, que se sentem inseguros quando sozinhos e que passam grande parte do dia andando e pastando. Na natureza, dificilmente se identificam ambientes ou dias na vida dos seres vivos, em que não tenha havido algum tipo ou grau de estresse. Virtualmente todos os conhecimentos e aprendizados dos equinos, ocorram eles na natureza ou no convívio com humanos, envolvem algum grau de estresse. A questão seria o nível de estresse. A ausência de estresse equivale à zona de conforto, em que não há desenvolvimento. Um nível moderado de estresse estimula o aprendizado, e equivale a uma zona de crescimento. Porém, quando o estresse se torna extremo, gera pânico, sendo mínima a possibilidade de aprendizado. Ou seja, estresse indica ser uma característica cujo ótimo são valores intermediários. Ao que tudo indica, o aprendizado do equino não se dá no momento em que ocorre o estresse (ou pressão), mas sim no momento do alívio deste (desde que a nível de estresse esteja nos limites da zona de crescimento para aquele indivíduo). Assim, quanto mais imediato for o alivio da pressão, mais eficiente será o aprendizado. Poderíamos resumir em pressão mínima, alívio imediato, longo e frequente da pressão, repetição dos exercícios e consistência na forma de pedir os exercícios como sendo as principais estratégias ou ferramentas para o treinamento dos equinos. Em termos práticos, o melhor treinamento para cada cavalo envolve o aprimoramento da comunicação entre humanos e equinos, tanto em termos de entender os anseios e medos de cada cavalo, a elaboração de um plano de atividades individualizado, além da adoção de técnicas de treinamento racional.


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